Hard fork vs. soft fork
Hard fork e soft fork são duas formas de atualizar as regras de uma blockchain: uma quebra compatibilidade com o histórico antigo, a outra não.
Hard fork e soft fork são as duas formas de mudar as regras de consenso de uma blockchain — a diferença entre elas é se um nó que não atualiza o software continua ou não reconhecendo os blocos criados pela nova versão.
Num soft fork, a mudança torna as regras mais restritivas, mas continua compatível com o histórico anterior: um bloco válido nas regras novas também é válido nas regras antigas, então nós desatualizados seguem aceitando a cadeia sem precisar atualizar imediatamente. O SegWit do Bitcoin, em 2017, é o exemplo mais conhecido — mudou como as assinaturas são armazenadas no bloco sem quebrar a rede em duas cadeias separadas. Já um hard fork muda as regras de um jeito incompatível com o histórico antigo: um bloco válido nas regras novas é rejeitado por quem ainda roda o software antigo. Se uma parte da rede não migra, o resultado são duas blockchains independentes, cada uma com seu próprio histórico a partir do ponto da divisão — foi o que aconteceu entre Ethereum e Ethereum Classic em 2016, após a reversão do ataque ao The DAO.
Isso importa para quem troca criptomoedas porque um hard fork pode literalmente duplicar um saldo. Quem tinha ETH na carteira antes da divisão de 2016 passou a ter, no mesmo endereço e com a mesma chave privada, acesso tanto a ETH quanto a ETC — porque o par de chave pública e endereço é idêntico nas duas cadeias resultantes; só o histórico depois do ponto de divisão diverge. É por isso que, quando um ativo passa por um hard fork contestado, corretoras e exchanges levam tempo para decidir quais das duas moedas resultantes vão listar e negociar.
Na prática de uma troca no Zest, esse tipo de evento afeta qual rede e qual ativo aparecem como opção de troca, não o funcionamento da operação em si: se um ativo passa por um hard fork, o parceiro de exchange decide se lista a moeda original, a nova moeda resultante, ou ambas, com base em qual delas mantém liquidez e suporte de infraestrutura relevantes. Quem troca continua escolhendo o par normalmente na interface — a divisão da rede é um evento anterior à cotação, não um passo extra que a pessoa usuária precisa gerenciar.
Um erro comum é achar que um hard fork sempre gera uma segunda moeda valiosa para reivindicar, ou que basta esperar para "ganhar" o ativo da nova cadeia. Na maior parte dos hard forks — inclusive vários bifurcações menores do próprio Bitcoin, como o Bitcoin Cash em 2017 — o ativo resultante da nova cadeia só tem valor de mercado se exchanges, mineradores e desenvolvedores efetivamente sustentarem essa rede depois da divisão; muitas bifurcações somem sem nunca ganhar um mercado líquido. Reivindicar esse saldo, quando existe, também exige cuidado técnico: mover fundos numa das cadeias usando uma carteira que não isola corretamente a rede pode expor a mesma chave em uma transação na cadeia errada, então vale seguir instruções específicas do próprio projeto antes de mexer no saldo duplicado, em vez de simplesmente usar a carteira do dia a dia sem verificar a rede selecionada.