Exchanges cripto saem do Brasil antes do prazo do BC
NovaDAX e Bitnuvem já saíram, a Bybit corta produtos para o Brasil, e o prazo para pedir autorização ao Banco Central vence em 30 de outubro.
A NovaDAX encerrou operações no Brasil em junho, com prazo de saque até 30 de agosto. A Bitnuvem saiu em abril, citando custo regulatório e concentração do setor. A Bybit está migrando usuários brasileiros para uma entidade local e vai encerrar posições em derivativos, margem e produtos Earn a partir de 21 de setembro. Executivos reunidos num evento da Z.ro Global Payments em São Paulo, em 14 de agosto, confirmaram que o movimento de saída está longe de terminar — o prazo para qualquer exchange pedir autorização ao Banco Central vence em 30 de outubro.
O prazo que está apertando o setor
A saída dessas plataformas não é coincidência. Desde novembro de 2025, as Resoluções BCB 519, 520 e 521 exigem que toda prestadora de serviço de ativo virtual (PSAV) peça autorização formal de funcionamento ao Banco Central, com prazo final em 30 de outubro de 2026. Quem não protocolar o pedido até lá fica formalmente fora do mercado regulado brasileiro. Em cima disso, a Resolução 580, publicada em julho, elevou a régua ao exigir capital mínimo de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões a partir de janeiro de 2027 — valor que a própria indústria já chamou de duas a sete vezes maior do que esperava.
O Banco Central lançou uma calculadora oficial que permite simular o capital mínimo exigido por tipo de atividade, o que tornou o tamanho da conta mais concreto para cada empresa. Segundo estimativas do setor, cerca de 80% das exchanges brasileiras — a maioria pequena ou média — se enquadra na faixa que mais sofre pressão para se capitalizar, fundir ou fechar.
Quem fica e quem sai
NovaDAX e Bitnuvem foram além do anúncio: já executaram o desligamento. A NovaDAX aceitou depósitos até 12 de junho, permitiu ordens de venda até 30 de junho e processa saques até 30 de agosto — depois disso, o saldo remanescente em cripto é convertido automaticamente para reais. A Bybit segue outro caminho, mais restritivo do que uma saída total: mantém a operação no Brasil, mas sob uma entidade local, exigindo documentos adicionais desde 25 de junho e encerrando posições em produtos incompatíveis com a nova oferta a partir de 21 de setembro.
Do outro lado, plataformas maiores estão se posicionando para ganhar espaço. A Mercado Bitcoin recebeu aporte de R$ 100 milhões da Tether e já opera como instituição de pagamento autorizada. A Foxbit confirma processo de autorização em andamento sob as regras de 2025. Executivos do setor apontam que essas duas, junto com a operação local da Binance, tendem a absorver clientes das exchanges que fecham ou reduzem escopo — o que preocupa parte do mercado pelo efeito de concentração, mas reduz o risco de contraparte para quem migra a tempo.
O que checar antes de 30 de outubro
Para quem mantém saldo em exchange brasileira, o risco prático não é regulatório — é operacional: uma plataforma que não conclui a autorização a tempo pode restringir saques, encerrar produtos de forma abrupta ou passar por fusão apressada. Antes do prazo, vale confirmar:
- se a exchange já protocolou pedido de autorização junto ao BC (informação que costuma constar em comunicados oficiais da própria plataforma);
- se ela publica claramente em qual segmento prudencial está enquadrada;
- se produtos como margem, derivativos ou Earn dependem de uma migração de entidade ainda em curso, como no caso da Bybit;
- se há prazo de saque anunciado, como ocorreu com a NovaDAX — esses cronogramas costumam ser curtos e não são renegociáveis.
| Data | O que acontece |
|---|---|
| 30 de agosto de 2026 | Fim dos saques na NovaDAX; saldo remanescente é convertido para reais |
| 21 de setembro de 2026 | Bybit encerra posições em produtos incompatíveis com a nova oferta local |
| 30 de outubro de 2026 | Prazo final para exchanges pedirem autorização ao Banco Central |
| 1º de janeiro de 2027 | Entra em vigor o capital mínimo da Resolução 580 |
O que isso muda para quem opera cripto no Brasil
Nenhuma dessas mudanças afeta a posse do ativo em si — cripto guardada em carteira própria não depende da situação regulatória de nenhuma exchange. O risco concentra-se em quem mantém saldo parado por longos períodos numa única plataforma sem verificar se ela vai atravessar o prazo de outubro. Quem já fez esse tipo de checagem em outras rodadas de aperto regulatório do BC — capital mínimo, segmentação prudencial — sabe que o cronograma costuma ser cumprido, mesmo quando o setor pede mais tempo. Vale revisar também a retenção de 24h que passa a valer junto com essas regras, já que ela atinge o mesmo tipo de operação — saque para fora do sistema regulado. Até lá, a lição prática é simples: quanto menos tempo o saldo passa parado numa exchange sem clareza sobre seu status de autorização, menor a exposição ao próximo anúncio de fechamento.